segunda-feira, 25 de outubro de 2010

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Sou Pai! Aquilo que por muito ansiava é real. Desejava tanto isto como o ar que respiro, mas no entanto não consigo estar bem. Não consigo olhar para o meu filho e sentir-me a pessoa mais feliz do mundo. Afinal não é isso que todos sentem quando são País pela primeira vez?


No dia 31 de Maio de 2008 senti medo, angustia, preocupação pelo bem-estar da minha mulher e do meu filho. Mas as piores sensações chegaram quando começaram a visitar e a conhecer o meu filho. Dos elogios, aos conselhos á nova Mãe…Só consegui sentir Raiva, muita Raiva…E então um enorme vazio tomou parte de mim...A pessoa que mais desejava este filho não podia olhar para ele, não podia pegar nele e dar-lhe o tal beijo na testa.
O beijo do Juízo como ela dizia. Não podia dar os conselhos á nova mãe, e como ela gostava de dar conselhos, faz assim que é melhor…no meu tempo era assim… Mas, e acima de tudo não podia dar-me os parabéns por ter tido um filho e dizer que eu era igual quando era pequenino. E que também ia “ficando” á nascença…e que foi naquela maternidade que ela sofreu muito para me dar ao mundo.
Como é possível então estar bem? Não ter Raiva desta vida, que não soube esperar uns míseros meses apenas, para Ela o ver. Como é que vai ser lidar com este facto: que o meu filho nunca irá conhecera a Avo. E que eu nunca o irei deixar lá para Ela cuidar dele como á tanto tempo tinha planeado.
Como esquecer os últimos tempos de vida em que dizia que iria conhecer o neto, e que Deus não iria a levar antes de ele nascer…
Dias há em que olho para a fotografia e penso no passado, nas pequenas coisas, nos dias em que recebia muitos telefonemas. Muitos deles sem nexo algum…apenas queria ouvir a minha voz e falar comigo. Quantas vezes me chamou a atenção por chegar a casa e não lhe dar um beijo, e que quando o quisesse fazer já não iria poder. E como sinto falta disso…como sinto pena por não ter sido melhor filho, e ter dado mais de mim à pessoa que deu tudo por mim. Como sinto falta de ouvir a voz. Aquela voz…
Mas cá estou, sou Pai, estou feliz, apesar de querer estar mais, e sinto-me capaz de dar o melhor de mim por Ele, como Ela por mim deu.

PORQUE É QUE GOSTAM DE MIM?»?»
PORQUE SIM MÃE, SIMPELSMENTE PORQUE SIM…OBRIGADO

2 comentários:

  1. Há quem diga que a morte não é o fim, mas sim o começo...é doloroso perdermos quem amamos e nada nem ninguém apaga essa dor que nos invade nos piores e melhores momentos! Ser pai/mãe é uma benção, o sentimento mais puro e intenso que se pode conhecer durante este percurso a que chamamos vida e que por vezes é tão tenebroso! O ser humano é bastante ignorante no que respeita à morte e compreende-se essa relutância em aceitar este facto intransponivél à vontade do homem...não é o fim e como podes ver neste momento é o inicio de uma vida cheia de alegrias...acredito que os que amamos e que partiram antecipadamente, estão bem perto de nós e que nos iluminam e protegem sempre que deles precisamos! Tudo de bom e muitas muitas felicidades para ti para a tua mulher e para este pequeno anjo que preenche as vossas vidas...bjinhoooooo

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